"Oblatus est, quia ipse voluit, et peccata nostra ipse portavit!"

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Novo bispo para Shanghai tem aprovação pontifícia



Um novo bispo auxiliar para Shanghai. Assim se resolve um caso complexo que ameaçava complicar a vida eclesial na diocese mais relevante da Igreja Católica na China. Graças sobretudo ao “sensus fidei” do bispo jesuíta de 95 anos, Aloysius Jin Luxian.

GIANNI VALENTE
ROMA

A diocese mais importante da Igreja na China terá logo um novo bispo. Será Thaddeus Ma Daqin, o sacerdote de 40 anos nomeado vigário-geral em dezembro passado.

Para seu nome se prevê que convirja a maior parte dos votos dos representantes da diocese (sacerdotes, freiras e alguns leigos das paróquias) durante a consulta fixada – salvo surpresas de última hora – paro o próximo dia 28 de maio (ndt: segunda-feira passada). A ordenação de Ma para bispo auxiliar está prevista para o fim de junho, de pois que o aparato governamental e o Colégio dos bispos chineses tiverem dado sua aprovação. Quando chegar o momento, será Thaddeus o sucessor designado de Aloysius Jin Luxian à chefia efetiva da diocese shanghaiense, com o consenso convergente da Santa Sé e das autoridades civis de Pequim. A sua nomeação prefigura a solução de um caso complexo, em que as dinâmicas vividas pela catolicidade chinesa emergem nos seus contornos reais, alheios aos estereótipos interpretativos, tão generalizados quanto enganosos.

Até dezembro passado, em Shanghai havia três bispos católicos. Um era Dom Giuseppe Fan Zhongliang, sagrado clandestinamente em 1985 sem consenso governamental, sucessor legítimo de Dom Ignazio Gong Pinmei – o herói da resistência católica diante da propaganda e das perseguições maoístas, preso em 1955, criado cardeal in pectore por João Paulo II em 1979 enquanto ainda estava na prisão e morto no exílio em Connecticut em 2000. Para a Santa Sé, formalmente Fan detém ainda a titularidade da diocese de Shanghai. A ele se referem as comunidade ditas “clandestinas” que rejeitam as regras e os condicionamentos impostos pela política religiosa do regime. Mas há anos Fan sofre do mal de Alzheimer, perdeu a memória e vive retirado num apartamento, na condição de liberdade vigiada. Desde 1988 a diocese, em todas as suas articulações oficiais – paróquias, seminário, instituições culturais e caritativas – é guiada por Jin, também ele jesuíta. Sagrado bispo em 1985 com o reconhecimento do governo mas sem o mandato pontifício, o bispo Jin pertence àquela geração de pastores que num determinado momento escolheu aceitar a sagração episcopal ilegítimas impostas pelo regime com a intenção de favorecer a retomada da vida eclesial e a possibilidade de administrar os sacramentos necessários à vida dos fiéis, à luz do dia.

Depois de 20 anos, também Jin, em 2005, recebeu de Roma a sua legitimação canônica, sendo enquadrado como bispo coadjutor de Shanghai. Na primavera daquele mesmo ano foi sagrado também o jovem bispo auxiliar Giuseppe Xing Wenzhi. A sua ordenação foi recebida e comentada como um desenvolvimento muito positivo nas turbulentas relações entre Vaticano, governo chinês e Igreja Católica na China. Ela representava naquela fase o caso mais eloquente da primeira série de nomeações episcopais ocorridas “com consenso paralelo” da Santa Sé e do governo chinês. Uma praxe provisória e muito precária, que entretanto permite a Pequim e à Santa Sé dialogar sobre procedimentos de seleção dos bispos chineses.

Giuseppe Xing, escolhido sobretudo graças aos bons ofícios de Jin, foi considerado durante muito tempo o seu sucessor in pectore, destinado a exercitar mais cedo ou mais tarde uma liderança reconhecida pela diocese inteira, que também os “clandestinos” receberiam bem. Mas recentemente esta prospectiva complicou-se lentamente: por último, o próprio Xing fez saber que não poderia assumir a condução da diocese à qual parecia destinado, e se retirou. Em dezembro Jin confirmou a demissão de Xing do ofício de bispo auxiliar, e contemporaneamente nomeou Thaddeus Ma para a função de Vigário-Geral com a óbvia intenção de indicá-lo como seu possível sucessor.

Nos últimos tempos, perdeu-se o paradeiro de Xing. Não participou das últimas celebrações natalinas. E nos blogs católicos chineses pululam comentários e indiscrições sobre o caso. Segundo alguns, teria retornado à cidade natal de Zhoucun, na província de Shandong. Há quem recorde as suas relações nada maravilhosas com os organismos “patrióticos” com os quais o governo condiciona a vida da Igreja. E a mortificação vivida quando, em dezembro de 2010, teve de participar contra sua vontade da assembleia dos representantes católicos chineses, o organismo pseudodemocrático, pilotado pelo partido, que redistribuiu os encargos de comando nos organismos eclesiais e paraeclesiais. Outros observadores põem o acento nas dificuldades de adaptação que Xing teria encontrado – ele, considerado por muitos como um “forasteiro” – nas relações com o clero de Shanghai. Na realidade, a demissão do ofício de bispo auxiliar foi um pedido pessoal seu.

A demissão de Xing ameaçava pôr em perigo a continuidade da sucessão apostólica legítima e o governo pastoral na diocese histórica e numericamente mais relevante da Igreja Católica na China. A movimentação de Jin – que nomeou o novo vigário-geral Thaddeus Ma e depois preliminarmente verificou tanto o consenso político quanto o eclesial canonicamente requerido para sua eventual sagração episcopal – abriu uma possibilidade de solução, desarmando inúteis complicações.

O shanghaiense Padre Thaddeus estudou no seminário diocesano de Sheshan e sempre desempenhou o seu trabalho pastoral no interior das megalópoles. Foi pároco decano da área urbana de Pudong e assumiu encargos de responsabilidade no setor editorial e cultural da diocese. Conhece o terreno e goza de ampla estima no clero de sua cidade. Está acostumado a tratar também com o poder político em virtude dos encargos desempenhados numa diocese que preferiu o diálogo ao choque. A Associação Patriótica dos Católicos Chineses local (organismo burocrático com o qual o regime pretende controlar a vida da Igreja a partir do interior) em Shanghai se move em boa sintonia com o bispo. Sendo assim, quando chegar o momento, é facilmente previsível que os representantes da diocese – sacerdotes, religiosos, leigos – indicarão Thaddeus como novo bispo coadjutor, no respeito formal dos procedimentos de autogestão “democrática” impostos pelo aparato.

Fonte: Vatican Insider, 25/05/2012
Tradução: OBLATVS

Atualização [30/05/2012]

O Padre Thaddeus Ma Daqin foi eleito bispo coadjutor de Shanghai (ou será auxiliar?) em eleição realizada hoje em Pequim. Obteve 160 dos 190 votos; dois votos foram contrários e houve 28 abstenções. O padre pode ser considerado bispo eleito, uma vez que já recebeu a aprovação do Papa. A sagração dependerá da aprovação por parte da conferência dos bispos, entidade não reconhecida pela Santa Sé.

domingo, 27 de maio de 2012

Aborto Legal: Holocausto Institucionalizado


 “O aborto legal fez nos EUA o que a Ku-Klux-Klan jamais sonhou conseguir: o extermínio de 14 milhões de bebês afroamericanos desde 1962, um terço da população negra atual”.


Alveda Celeste King
sobrinha do Pastor Martin Luther King

Conferência: Culture of Live vs. Culture of Death: The Greatest Civil Rights Issue of Today

No Congresso Mundial das Famílias – Madri, 27 de maio de 2012

Novos Doutores da Igreja


“O Espírito, que «falou pelos profetas», com os dons da sabedoria e da ciência continua a inspirar homens e mulheres que se empenham na busca da verdade, propondo vias originais de conhecimento e aprofundamento do mistério de Deus, do homem e do mundo. Neste contexto, alegra-me anunciar que no próximo dia 7 de outubro, no início da assembleia Ordinária do Sínodo dos Bispos, proclamarei São João de Ávila e Santa Hildegarda de Bingen Doutores da Igreja universal. Estas duas grandes testemunhas da fé viveram em períodos históricos e ambientes culturais assaz diversos. Hildegarda foi monja beneditina no coração da Idade Média alemã, autêntica mestra de teologia e profunda estudiosa das ciências naturais e da música. João, sacerdote diocesano nos anos do renascimento espanhol, participou no trabalho de renovação cultural e religiosa da Igreja e dos movimentos sociais nos albores da modernidade. Mas a santidade da vida e a profundidade da doutrina os tornam perenemente atuais: a graça do Espírito Santo, de fato, os lançou àquela experiência de penetrante compreensão da revelação divina e de inteligente diálogo com o mundo que constituem o horizonte permanente da vida e da ação da Igreja”.

Bento XVI
27 de maio de 2002
Solenidade de Pentecostes


LISTA COMPLETA DOS DOUTORES DA IGREJA

Quatro Grandes Doutores Latinos
1. São Gregório Magno, Papa de Roma (540-604)
2. Santo Ambrósio, Bispo de Milão (340-397)
3. Santo Agostinho, Bispo de Hipona (354-430)
4. São Jerônimo, monge e tradutor da Bíblia (347-420)

Proclamados pelo Papa Bonifácio VIII em 1298

5. Santo Tomás de Aquino, frade (1225-1274) – proclamado em 1567 por São Pio V

Quatro Grandes Doutores Gregos
6. São João Crisóstomo, Patriarca de Constantinopla (348-407)
7. São Basílio Magno, Bispo de Cesareia (330-379)
8. São Gregório Nazianzeno, Patriarca de Constantinopla (329-390)
9. Santo Atanásio, Patriarca de Alexandria (298-373)

Proclamados pelo Papa São Pio V em 1568

Demais Doutores Universais

10. São Boaventura, frade (1221-1274) – proclamado em 1588
11. Santo Anselmo, Arcebispo de Cantuária (1033-1109) – proclamado em 1720
12. Santo Isidoro, Bispo de Sevilha (560-636) – proclamado em 1722
13. São Pedro Crisólogo, Arcebispo de Ravena (406-451) – proclamado em 1729
14. São Leão Magno, Papa de Roma (400-461) – proclamado em 1754
15. São Pedro Damião, Cardeal (1007-1072) – proclamado em 1828
16. São Bernardo de Claraval, monge (1090-1153) – proclamado em 1830
17. Santo Hilário, Bispo de Poitiers (300-367) – proclamado em 1851
18. Santo Afonso de Ligório, Bispo (1696-1797) – proclamado em 1871
19. São Francisco de Sales, Bispo de Genebra (1567-1622) – proclamado em 1877
20. São Cirilo, Patriarca de Alexandria (376-444) – proclamado em 1883
21. São Cirilo, Bispo de Jerusalém (315-386) – proclamado em 1883
22. São João Damasceno, monge (675-749) – proclamado em 1883
23. São Beda, o Venerável, monge (672-735) – proclamado em 1899
24. Santo Efrém, monge e diácono (306-373) – proclamado em 1920
25. São Pedro Canísio, sacerdote (1521-1597) – proclamado em 1925
26. São João da Cruz, frade (1542-1591) – proclamado em 1926
27. São Roberto Belarmino, Cardeal (1542-1621) – proclamado em 1931
28. Santo Alberto Magno, Bispo de Regensburg (1206-1280) – proclamado em 1931
29. Santo Antônio de Pádua, frade (1195-1231) – proclamado em 1946
30. São Lourenço de Bríndisi, frade (1559-1619) – proclamado em 1959
31. Santa Teresa d’Ávila, monja (1515-1582) – proclamada em 1970
32. Santa Catarina de Sena, leiga (1347-1380) – proclamada em 1970
33. Santa Teresa de Lisieux, monja (1873-1897) – proclamada em 1997
34. São João de Ávila, sacerdote (1500-1569) – a ser proclamado em 2012
35. Santa Hildegarda de Bingen, monja (1098-1179) a ser proclamada em 2012    

terça-feira, 22 de maio de 2012

Oração dos Fiéis em questão


A Constituição sobre a Sagrada Liturgia do Concílio Vaticano II, Sacrosanctum Concilium, dispôs que fosse introduzida na Santa Missa a chamada Oração dos Fiéis. Diz textualmente a referida constituição: “Deve restaurar-se, especialmente nos domingos e festas de preceito, a «oração comum» ou «oração dos fiéis», recitada após o Evangelho e a homilia, para que, com a participação do povo, se façam preces pela santa Igreja, pelos que nos governam, por aqueles a quem a necessidade oprime, por todos os homens e pela salvação de todo o mundo” (SC 53).

Como a Sacrosanctum Concilium não desceu a pormenores, coube aos responsáveis pela execução da reforma estabelecer as rubricas para sua realização.  A Instrução Geral do Missal Romano (IGMR) não a impõe, mas recomenda que seja feita em todas as missas com a participação do povo. E embora o Missal Romano apresente um conjunto de formulários para os vários tempos, eles são considerados meras sugestões, já que em relação à Oração dos Fiéis se pode exercitar uma “sábia liberdade”.

A primeira pergunta que me faço é se a disposição da Sacrosanctum Concilium não teria se tornado redundante ou supérflua em virtude dos desenvolvimentos não previstos pelos Padres Conciliares. Refiro-me à prática de pronunciar o Cânon em voz alta e em vernáculo, desenvolvimento certamente não contemplado pela Sacrosanctum Concilium, ainda que alguns o tivessem em mente.

Com o Cânon inaudível ou incompreensível, não deixava de ser uma solução pastoral oportuna a introdução de preces pelas várias classes de pessoas e circunstâncias. Uma vez que a reforma estabeleceu o Cânon em voz alta e a possibilidade do vernáculo, as fórmulas se tornaram enfadonhas. Na melhor das hipóteses, não são outra coisa senão uma antecipação desnecessária da Oração Eucarística.

Mas nada mais grave do que a liberdade de composição concedida pela IGMR. A brecha permite usar a Oração dos Fiéis como canal das mais aberrantes doutrinas e ideias. Os principais subsídios litúrgicos difundidos no Brasil não deixam dúvida, a Oração dos Fiéis é juntamente com os comentários e os cantos o veículo ideal para a propagação de toda sorte de erros.

Em ambos os casos, a Oração dos Fiéis parece não prender muito a atenção dos "fiéis". Sobretudo quando se trata de algumas composições proxilas, os fiéis seriam incapazes de responder, minutos depois, sobre o que foi pedido.  

O ideal seria que numa futura reforma da reforma, a Oração dos Fiéis simplesmente desaparecesse, por irrelevante ou repetitiva. No caso de ser mantida, que fossem compostas fórmulas vinculantes, universais ou particulares, que passassem pelo crivo de uma autoridade competente em matéria teológica e litúrgica.

O que vivemos hoje, no campo da Sagrada Liturgia, é uma verdadeira ditadura da criatividade, e nada mais alheio ao espírito da mesma.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Ordinariato australiano a ser instituído em 15 de junho


Dom Denis Hart, presidente da conferência dos bispos australianos, anunciou hoje que o Papa Bento XVI pretende instituir o ordinariato para fiéis oriundos do anglicanismo na Austrália no dia 15 de junho de 2012.

Será o terceiro do gênero, sendo precedido pelo Ordinariato de Nossa Senhora de Walsingham (inglês) e pelo Ordinariato da Cátedra de São Pedro (americano). Ainda segundo a nota, o australiano se chamará Ordinariato de Nossa Senhora do Cruzeiro do Sul e será colocado sob o patrocínio de Santo Agostinho de Cantuária.

Fonte: http://www.cathnews.com/

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Uma Prelazia Pessoal para a Fraternidade São Pio X


Às vésperas da publicação da decisão do Papa Bento XVI relativa à Fraternidade São Pio X, vêm à luz, através do site francês Riposte Catholique, duas cartas trocadas pelos bispos da mesma: uma, dos três bispos sem cargos de direção, destinada ao Superior Geral e a seus assistentes; outra, a resposta dos últimos.

A carta de Dom de Galarreta, Dom Tissier de Mallerais e Dom Williamson, traz um apelo desesperado para que Dom Fellay não assine o preâmbulo doutrinal que prepara o “acordo prático”, uma vez que as discussões doutrinárias “provaram que um acordo doutrinal é impossível com a Roma atual”, segundo os signatários. Declaram, portanto, a “unanimidade de sua oposição formal” a tal tipo de acordo.

Os bispos opositores citam declarações de Dom Lefebvre em que o prelado define o busílis do problema. Este seria não tanto os erros superficiais ou particulares, mas “uma perversão total do espírito, toda uma filosofia nova fundada sobre o subjetivismo”. Os bispos acrescentam que o pensamento de Bento XVI, idêntico neste aspecto ao de João Paulo II, estaria impregnado de subjetivismo. A própria aceitação da Fraternidade seria manifestação desta “fantasia subjetivista” que tolera a verdade, desde que esta aceite tolerar o erro.

Colocam o problema prático, de fato não desprezível, das garantias dadas à Fraternidade em relação à Cúria romana e aos bispos diocesanos. Veem que, pouco a pouco, a Fraternidade já não poderia manter o mesmo combate. E concluem que a aceitação do acordo puramente prático é um caminho sem volta, de divisão e destruição da obra de Dom Lefebvre.

Dom Fellay responde que a descrição da realidade da Igreja feita pelos bispos carece de “sobrenaturalidade” e de “realismo”.

O Superior Geral pergunta se os bispos ainda creem que “esta Igreja visível cuja sede está em Roma é a mesma Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo” e que Bento XVI é ainda o papa legítimo. Supondo evidentemente que o creiam, pergunta como poderiam recusar uma vontade legítima do Papa, sem que se lhes seja imposto nada de contrário aos mandamentos de Deus. Segundo Dom Fellay, a visão que os bispos têm de Igreja é muito humana e fatalista: veem “os perigos, os complôs, as dificuldades”, mas não veem mais “a assistência da graça e do Espírito Santo”.

A ausência de realismo se manifesta, segundo Dom Fellay, na intensidade e na amplitude dos erros. Transformar os erros do Concílio em super-heresias, em mal absoluto, seria uma atitude semelhante a dos liberais ao dogmatizarem o Concílio pastoral. Como não seria realista atribuir às autoridades todos os erros e males que se acham na Igreja.

Dom Fellay por fim declara que jamais procurou um acordo prático, que preferia manter o status quo intermediário, mas “manifestamente, Roma não o tolera mais”. E como a proposta de Prelazia Pessoal não é uma “armadilha” e a situação em 2012 não é a mesma de 1988, conclui que não deveria hesitar em aceitar o que foi proposto.

No parágrafo final, Dom Fellay lamenta as recentes atitudes dos bispos que, de modo diverso entre eles, procuram impor os próprios pontos de vista, até sob a forma de ameaças e publicamente.


De tudo o que as cartas revelam, muitas coisas ficam claras.

Em primeiro lugar, Roma não aceita mais o status quo intermediário. Se os bispos e sacerdotes da Fraternidade são católicos, não podem permanecer no estado de insubmissão ao Romano Pontífice. Esta submissão, necessária para a salvação, não se limita a declarações genéricas de fidelidade à Igreja de sempre, ao papado, e às missas una cum. A submissão é à Igreja de sempre que vive hoje e ao Papa Bento XVI. A recusa provavelmente exigiria do Papa uma nova bula de excomunhão, por pecado contra a Unidade da Igreja.

Roma ofereceu uma Prelazia Pessoal à Fraternidade e lhe permitiu criticar determinadas formulações do Concílio Vaticano II.

O Conselho Geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X aceitou.

Haverá divisões e os chefes do cisma serão Dom de Galarreta, Dom Tissier de Mallerais e Dom Williamson.

Tudo agora é uma questão de tempo e, ao que parece, não passa de maio.

Rezemos para que o estrago seja mínimo. 

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Mais um bispo auxiliar para o Rio de Janeiro

Uma feliz notícia neste dia 9 de maio: a aguardada nomeação de Mons. Roque Costa Souza como bispo auxiliar da Arquidiocese do Rio.

Deveria ter saído antes, a tempo de ser sagrado neste mês de maio junto com Mons. Luiz Henrique, o que significa que teremos outra cerimônia de Sagração Episcopal dentro de três meses na querida Sé carioca. Espero poder cumprimentar pessoalmente o caro Pe. Roque no próximo sábado.

Parabéns ao eleito e aos cariocas.

terça-feira, 1 de maio de 2012

São José Operário


O TRABALHO DIGNIFICADO

                                                    
Ontem celebramos a festa de São José operário, patrono dos trabalhadores. Desejoso de ajudar os trabalhadores a santificar o seu dia, já mundialmente comemorado, o Papa Pio XII instituiu a festa de São José operário, modelo do trabalhador. De origem nobre da Casa de Davi, ganhando a vida como simples carpinteiro, São José harmoniza bem a união de classes que deve existir em uma sociedade cristã, onde predominam a justiça e a caridade.

O trabalho é obra de Deus. Deus, ao criar o homem, colocou-o no jardim do Éden para nele trabalhar. O trabalho existe, portanto, antes do pecado. Depois deste, passou a ter a conotação de penitência, pois adquiriu uma nota de dificuldade e o necessário esforço para desempenhá-lo: “Comerás o pão com o suor do teu rosto” (Gn 3,19).

Assim, o trabalho tem o aspecto natural necessário para o nosso sustento e o aspecto adicional de penitência, pois ele contraria nossa tendência, exacerbada pelo pecado, à preguiça e ao relaxamento. O trabalho é algo muito digno e nobre, seja ele qual for, desde que seja honesto e nos encaminhe para Deus, seu autor.

O trabalho é também expressão do amor.  “A expressão quotidiana deste amor na vida da Família de Nazaré é o trabalho. O texto evangélico especifica o tipo de trabalho, mediante o qual José procurava garantir a sustentação da Família: o trabalho de carpinteiro. Esta simples palavra envolve toda a extensão da vida de José. Para Jesus este período abrange os anos da vida oculta, de que fala o Evangelista, a seguir ao episódio que sucedeu no templo: «Depois, desceu com eles para Nazaré e era-lhes submisso» (Lc 2, 51). Esta submissão, ou seja, a obediência de Jesus na casa de Nazaré é entendida também como participação no trabalho de José. Aquele que era designado como o ‘filho do carpinteiro’, tinha aprendido o ofício de seu ‘pai’ adotivo. Se a Família de Nazaré, na ordem da salvação e da santidade, é exemplo e modelo para as famílias humanas, é-o analogamente também o trabalho de Jesus ao lado de José carpinteiro. Na nossa época, a Igreja pôs em realce isto mesmo, também com a memória de São José Operário, fixada no primeiro de maio. O trabalho humano, em particular o trabalho manual, tem no Evangelho uma acentuação especial. Juntamente com a humanidade do Filho de Deus ele foi acolhido no mistério da Encarnação, como também foi redimido de maneira particular. Graças ao seu banco de trabalho, junto do qual exercitava o próprio ofício juntamente com Jesus, José aproximou o trabalho humano do mistério da Redenção” (B. João Paulo II, Ex. Apost. Redemptoris Custos).

“Trata-se, em última análise, da santificação da vida quotidiana, no que cada pessoa deve empenhar-se, segundo o próprio estado, e que pode ser proposta apontando para um modelo accessível a todos: São José é o modelo dos humildes, que o Cristianismo enaltece para grandes destinos; é a prova de que para serem bons e autênticos seguidores de Cristo não se necessitam grandes coisas, mas requerem-se somente virtudes comuns, humanas, simples e autênticas.”

Dom Fernando Rifan
Administrador Apostólico
Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...