"Oblatus est, quia ipse voluit, et peccata nostra ipse portavit!"

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Ex-clérigos anglicanos se preparam para receber sacerdócio católico

Confirmado pelo site do Ordinariato que John Hunwicke está entre os 53 candidatos ao sacerdócio católico. O candidato é ex-padre anglicano, foi pároco em Oxford, professor de língua e literatura clássica, ex-catedrático de teologia e pesquisador.

John Hunwicke é autor do excelente blog Liturgical notes. É uma extraordinária notícia para os que acompanham e admiram a erudição do Fr. Hunwicke. 


Os candidatos estão fazendo um curso de Teologia Católica no Allen Hall (Seminário da Diocese de Westminster - Londres) que continuará após as ordenações sacerdotais.


Para quem deseja conhecer o tipo de padre que John Hunwicke dará, leia suas última postagem sobre o Rito de São Pio V e o Rito de Paulo VI (aqui em inglês).


quarta-feira, 27 de abril de 2011

Católicos bielorrussos querem catedral confiscada pelos comunistas

Católicos da cidade de Mahileu [Mohilev], leste da Bielorrússia, estão recolhendo assinaturas para uma petição apresentada às autoridades municipais pedindo que se lhes devolva a Catedral de Santo Estanislau [anteriormente Catedral da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria, ndt.], segundo informa a seção bielorrussa da RFE/RL.

A Paróquia de Santa Mãe Maria [na verdade, Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria, ndt.] e Santo Estanislau sustenta que a Catedral, atualmente propriedade do município, deve tornar-se propriedade da comunidade paroquial.

A igreja originalmente pertencia à comunidade católica mas foi confiscada quando os comunistas tomaram o poder na era soviética.

Representantes da paróquia disseram a RFE/RL que as autoridades locais estão exigindo que a comunidade pague um aluguel. Disseram ainda que se a propriedade da catedral for oficialmente transferida para a paróquia, eles poderão achar dinheiro para os reparos e restaurações que são muito necessários.

A Catedral de Santo Estanislau é um dos mais antigos edifícios em Mahileu, tendo sido construída em 1740. A Paróquia de Santa Mãe Maria e Santo Estanislau está em atividade desde 1614.

A catedral voltou a operar como igreja para os católicos em Mahileu em 1990. Durante a era soviética a catedral era usada como depósito pelos serviços de manutenção da cidade.

Muitos católicos da Bielorrússia são de origem polonesa que vivem na parte ocidental da Bielorrússia, na fronteira com a Polônia. A grande maioria dos cidadãos bielorrussos são Ortodoxos.

Com cerca de 367 mil habitantes, Mahileu é a terceira maior cidade da Bielorrússia.

Tradução: OBLATVS

Cachoeiro de Itapemirim tem novo bispo

O Papa Bento XVI nomeou o novo bispo da diocese vizinha de Cachoeiro de Itapemirim-ES, vacante desde julho de 2010. Trata-se de Dom Dario Campos, até o momento bispo de Leopoldina-MG.
Do site da CNBB:


"Dom Dario Campos é natural de Castelo (ES). Nasceu em 9 de junho de 1948 e fez sua profissão religiosa em 10 de janeiro de 1975. A ordenação presbiteral ocorreu em dezembro de 1977 e a episcopal em 26 de setembro de 2000, quando foi designado para assumir a diocese de Leopoldina.
O novo bispo de Cachoeiro de Itapemirim estudou filosofia e teologia no Instituto Filosófico-Teológico Franciscano de Petrópolis (RJ) e se especializou em filosofia e pedagogia na Faculdade Dom Bosco de São João del-Rei (MG).
Como bispo dom Dario já foi coadjutor de Araçuaí (MG) (2000 – 2001); e titular entre (2001 – 2004). Foi membro do Conselho Episcopal de Pastoral do Regional Leste 2 (Espírito Santo e Minas Gerais); responsável pelo Setor Vocações e Ministérios (2002 – 2006); e responsável pelos padres do Regional Leste 2 e Serviço de Animação Vocacional entre 2006 e 2010. Seu lema episcopal é “Nas tuas Mãos”."

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Ordenações sacerdotais no Ordinariato


A história da conversão dos anglicanos à única Igreja de Cristo é longa e cheia de obstáculos. O Papa Bento XVI quis abreviar e facilitar a reinserção individual e coletiva destes batizados na Igreja Católica. Parte deste itinerário ecumênico pode ser encontrado neste blog que, desde o início, procurou informar seus leitores sobre os resultados obtidos.

Em 4 de novembro de 2009, o Papa assinou a Anglicanorum Coetibus, magna carta que estabelece as condições da recepção coletiva de grupos de anglicanos. A carta e suas normas complementares são uma resposta do Sumo Pontífice a inúmeros pedidos de grupos heterogêneos de anglicanos que desejavam ser admitidos na Igreja Católica.

Os diferentes grupos demonstraram grande satisfação pelas generosas condições colocadas pelo Santo Padre; nalguns casos mais extensivas do que pedidas ou imaginadas. Clérigos de diferentes graus manifestaram sua intenção de renunciar ao ofício eclesiástico anglicano para aderir à nova estrutura canônica, o Ordinariato, desenhado especialmente para acolhê-los.

Em 1º de janeiro de 2011, três ex-bispos anglicanos, suas esposas e três freiras anglicanas foram recebidos na Igreja Católica. Em 13 de janeiro, os ex-bispos foram ordenados diáconos e em 15 de janeiro, sacerdotes católicos. Nesta mesma data foi constituído o Ordinariato de Nossa Senhora de Walsingham, cobrindo o território de Inglaterra e Gales, e Mons. Keith Newton [foto], um dos ex-bispos ordenado padre naquele mesmo dia, foi nomeado primeiro Ordinário.

No início da quaresma, mais de mil interessados no Ordinariato, "padres e leigos" anglicanos, iniciaram um período catequético a fim de serem plenamente iniciados na vida sacramental, através do Sacramento da Crisma e da Sagrada Comunhão. Foi o que se viu nos últimos dias, em várias catedrais e igrejas católicas britânicas. Cerca de 60 ex-padres anglicanos cuja petição foi deferida pela Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé preparam-se, ao mesmo tempo, para receber o Sacerdócio católico nos próximos dias.

Não me recordo de um número tão expressivo de ordenações sacerdotais em tão curto período de tempo, como se vê na programação divulgada pelo site do Ordinariato.

Abril
28 Diaconal em East Anglia
Maio
4 Diaconal em Plymouth
4 Diaconal em Arundel and Brighton
6 Diaconal em Westminster
7 Diaconal em Southwark
8 Diaconal em Hallam
13 Diaconal em Portsmouth
14 Diaconal em Brentwood
15 Diaconal em Nottingham
Junho
4 Sacerdotal em Southwark
6 Diaconal em Birmingham
6 Diaconal em Clifton
10 Sacerdotal em Westminster
10 Sacerdotal em Clifton
11 Sacerdotal em Brentwood
11 Sacerdotal em Hallam
12 Sacerdotal em Birmingham
15 Sacerdotal em East Anglia
17 Sacerdotal em Plymouth
17 Sacerdotal em Arundel and Brighton
18 Sacerdotal em Nottingham
24 Diaconal em Salford
25 Sacerdotal em Portsmouth
Julho
16 Sacerdotal em Salford

terça-feira, 19 de abril de 2011

Última Ceia foi na quarta-feira, afirma historiador britânico


Um perito britânico em história bíblica chegou à conclusão de que a Última Ceia de Cristo teve lugar na quarta-feira antes da crucifixão, um dia antes daquilo que indica a tradição.

O professor Colin Humphreys da Universidade de Cambridge se valeu de investigações históricas, bíblicas e astronômicas em seu novo livro, O Mistério da Última Ceia, para tentar fixar o dia exato da última ceia compartilhada por Jesus Cristo com seus discípulos, informa a imprensa britânica.

Os investigadores se perguntaram durante muito tempo sobre a razão de uma aparente inconsistência bíblica: enquanto os evangelistas Mateus, Marcos e Lucas afirmam que a Última Ceia coincidiu com o começo da Páscoa judaica, João sustenta que aconteceu antes.

O professor Humphreys acredita que Jesus, juntamente com Mateus, Marcos e Lucas tenham utilizado um calendário diferente do empregado por João.

Segundo sua hipótese, Jesus se ateve a um velho calendário judaico em vez de reger-se pelo calendário lunar oficial que era muito difundido nos anos de sua morte.

Desta forma, a Ceia de Páscoa - e Última Ceia - teria sido celebrada na quarta-feira, o que explica que tenham ocorrido muitas coisas entre este evento e a crucifixão.

Assim, a detenção, o interrogatório e os julgamentos a que foi submetido Jesus não teriam acontecido no espaço de apenas uma noite.

Tradução: OBLATVS

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Convite para Santa Missa Tradicional em Vitória-ES

Ricardo Passamani escreve de Vitória no Espírito Santo e convida para as Festividades de Nossa Senhora da Penha, Padroeira do Estado.

Será celebrada uma Santa Missa no Rito Romano Tradicional (Forma Extraordinária) às 8h do dia 30 de abril, dia de São Pio V, na Igreja de São Gonçalo.

Os moradores de Vitória, redondezas e visitantes interessados podem contatar o grupo organizador pelo e-mail santamissasp@gmail.com.

Novo site do L'Osservatore Romano

Novo site para o L'Osservatore Romano, o jornal pontifício que lançará a própria nova versão online amanhã, por ocasião do sétimo ano de pontificado do Papa Bento XVI. O jornal da Santa Sé será acessível nas suas diversas edições (além da quotidiana [em italiano], as semanais em italiano, inglês, alemão, francês, espanhol, português, e a mensal em polonês). Para as edições semanais e mensal será possível realizar imediatamente assinaturas eletrônicas, enquanto que para a quotidiana - na rede a partir do fim da tarde (hora de Roma), isto é, logo depois de sua publicação e antes mesmo que chegue às bancas - o acesso será gratuito até 31 de agosto (as assinaturas valerão a partir de 1º de setembro).

No site do jornal da Santa Sé (www.osservatoreromano.va), os textos do jornal estarão em italiano e progressivamente nas outras línguas, a partir do inglês.

Fonte: ASCA via Papa Ratzinger blog
Tradução: OBLATVS 

sábado, 16 de abril de 2011

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Mensagem aos Católicos Chineses

De 11 a 13 de abril corrente, realizou-se no Vaticano a 4ª Reunião Plenária da Comissão, instituída pelo Papa Bento XVI em 2007, para estudar as questões de maior importância relativas à vida da Igreja na China.

Ao final da mesma, os Participantes dirigiram aos católicos chineses a seguinte mensagem:

MENSAGEM AOS CATÓLICOS CHINESES

1. "O Deus da esperança vos encha de toda alegria e paz na fé, para que transbordeis de esperança pela virtude do Espírito Santo" (Rm 15,13).

De 11 a 13 de abril corrente nos reunimos no Vaticano para estudar algumas questões de maior importância relativas à vida da Igreja Católica na China.

Os encontros desenvolveram-se num clima de serena e cordial fraternidade e foram enriquecidos com contribuições, cujo valor baseia-se seja na reflexão e na experiência dos Participantes, seja nas informações e testemunhos que chegam da China.
[Ambiente geral]
Movidos pelo amor à Igreja na China, pela dor e pelas provações que estais enfrentando e pelo desejo de encorajar-vos, aprofundamos o nosso conhecimento da situação eclesial por meio de uma visão panorâmica da organização e da vida das Circunscrições eclesiásticas no vosso País. Constatamos o clima geral de desorientação e de ansiedade pelo futuro, os sofrimentos de algumas Circunscrições privadas de Pastores, as divisões internas de outras, e ainda a preocupação de outras que não têm as pessoas e os meios suficientes para enfrentar os fenômenos de crescente urbanização e de êxodo rural.

De uma leitura dos dados emergiram também uma fé viva e uma experiência de Igreja capazes de dialogar frutuosamente com as realidades sociais de cada território. A ação conjunta dos Bispo, sacerdotes, diáconos, pessoas consagradas e fiéis leigos vem a compor, na maior parte dos casos, um mosaico, no qual se reflete a imagem de Cristo e de seus muitos discípulos. Muitas religiosas, com espírito de abnegação e vivendo não poucas vezes em reais restrições econômicas, consomem-se cotidianamente na proximidade às famílias, aos jovens, aos anciãos e aos enfermos. Várias associações ocupam-se de obras de caridade e de assistência, cuidando das necessidades dos mais pobres e daqueles que nestes anos foram afetados por inundações e terremotos.
[Papel dos Bispos]
2. Encorajamos os Bispo, junto com seus sacerdotes, a conformar-se sempre mais a Cristo Bom Pastor, a providenciar que a seus fiéis não falte o ensinamento da fé, a estimular uma justa atividade e a empenhar-se para construir, onde não existem e são necessários, novos lugares de culto e de educação na fé e, sobretudo, para formar comunidades cristãs maduras. Convidamos ainda os Pastores a cuidar, com renovado empenho e entusiasmo, a vida dos fiéis, especialmente nos seus elementos essenciais da catequese e da liturgia. Exortamos os mesmos Pastores a ensinar aos sacerdotes, com o próprio exemplo, a amar, a perdoar e a ser fiéis. Convidamos ainda as comunidades eclesiais que continuem a anunciar o Evangelho com fervor sempre mais intenso, enquanto nos unimos à sua gratidão a Deus pelo batismo dos adultos, que será celebrado nos próximos dias pascais.

3. Detivemo-nos particularmente sobre algumas dificuldades, surgidas recentemente nas vossas comunidades.
[Consagração episcopal ilícita em Chengde]
No que tange ao triste episódio da ordenação episcopal de Chengde, a Santa Sé, com base nas informações e nos testemunhos recebidos até agora não tem razões para considerá-la inválida, embora a considere gravemente ilegítima, porque foi conferida sem o mandato pontifício, o que torna ilegítimo também o exercício do ministério. Entristece-nos porque ocorreu depois de uma série de consagrações episcopais consensuais e porque os bispos consagrantes sofreram vários constrangimentos. Como escreve o Santo Padre na sua Carta de 2007, "a Santa Sé segue com especial cuidado a nomeação dos Bispos uma vez que esta toca o coração mesmo da vida da Igreja, na medida em que a nomeação dos Bispo por parte do Papa é garantia da unidade da Igreja e da comunhão hierárquica. Por este motivo o Código de Direito Canônico (cf. cân 1382) estabelece graves sanções seja para o Bispo que confere livremente a ordenação episcopal sem mandato apostólico, seja para aquele que a recebe: tal ordenação representa de fato uma dolorosa ferida na comunhão eclesiástica e uma grave violação da disciplina canônica. O Papa, quando concede o mandato apostólico para a ordenação de um Bispo, exercita a sua suprema autoridade espiritual: autoridade e intervenção que permanecem no âmbito estritamente religioso. Não se trata pois de uma autoridade política, que se intromete indevidamente nos negócios internos de um Estado e nem fere a soberania" (n. 9).
[Bispos coagidos não estão automaticamente excomungados]
As pressões e as coações externas podem fazer com que não se incorra automaticamente na excomunhão. Resta todavia uma ferida causada ao corpo eclesial. Cada Bispo envolvido é, portanto, obrigado a referir-se à Santa Sé e a encontrar um meio de esclarecer a própria posição aos sacerdotes e aos fiéis, professando novamente a fidelidade ao Sumo Pontífice, para ajudar-lhes a superar seu sofrimento interior e para reparar o escândalo externo causado.

Estamos próximos a vós nestes momentos difíceis. Convidamos os sacerdotes, as pessoas consagradas e os fiéis leigos a compreender as dificuldades dos próprios Bispos, a animá-los, a sustentá-los com a solidariedade e com a oração. Para todos será certamente reconfortante o que o Papa escreve na sua Carta: "Estou ciente das grandes dificuldades que deveis enfrentar [...] para vos manterdes fiéis a Cristo, à sua Igreja e ao Sucessor de Pedro. Recordando-vos que - como já afirmava São Paulo (cf. Rm 8, 35-39) - nenhuma dificuldade pode separar-nos do amor de Cristo, nutro a confiança de que sabereis fazer todo o possível, confiando na graça do Senhor, para salvaguardar a unidade e a comunhão eclesial, mesmo à custa de grandes sacrifícios" (n. 8).
[Organismos cismáticos]
4. No que diz respeito à 8ª Assembleia Nacional dos Representantes Católicos, são iluminantes, uma vez mais, as palavras do Santo Padre: "Considerando 'o desenho original de Jesus', resulta evidente que a pretensão de alguns organismos, desejados pelo Estado e estranhos à estrutura da Igreja, de colocar-se acima dos próprios Bispos e de guiar a vida da comunidade eclesial, não corresponde à doutrina católica, segundo a qual a Igreja é 'apostólica', como reafirmou também o Concílio Vaticano II. [...] Também a declarada finalidade de tais organismos de realizar 'os princípios de independência e autonomia, autogestão e administração democrática da Igreja' é inconciliável com a doutrina católica" (n. 7).
[Nomeação de Bispos para dioceses vacantes]
5. A escolha de Pastores para guiar as numerosas dioceses vacantes é uma urgente necessidade e, ao mesmo tempo, fonte de viva preocupação. A Comissão espera vivamente que não haja novas feridas à comunhão eclesial, e pede ao Senhor força e coragem para todas as pessoas envolvidas. A respeito disto, se deve ter presente também aquilo que o Papa Bento XVI escreveu: "A Santa Sé desejaria ser completamente livre na nomeação dos Bispos; entretanto, considerando o recente caminho peculiar da Igreja na China, desejo que se encontre um acordo com o Governo para resolver algumas questões relativas seja à escolha dos candidatos ao episcopado, seja à publicação das nomeações dos Bispos, seja ao reconhecimento - para efeitos civis onde necessários - do novo Bispo por parte da Autoridade civil" (n. 9). Fazemos nossos estes desejos e olhamos com trepidação e com temor para o futuro: sabemos que isto não está inteiramente em nossas mãos e lançamos um apelo a fim de que os problemas não cresçam e as divisões não se aprofundem, em prejuízo da harmonia e da paz.
[A configuração das Circunscrições Eclesiásticas]
6. No exame da situação das Circunscrições emergiram também dificuldades a propósito de seus limites. A tal respeito, reconheceu-se a necessidade de considerar a mudança de condições, respeitando a normativa eclesiástica e tendo sempre presente o quanto se lê na Carta pontifícia aos católicos na China: "Numerosas mudanças administrativas ocorreram, no campo civil, durante os últimos cinquenta anos. Estas também atingiram diversas circunscrições eclesiásticas, que foram eliminadas ou reagrupadas ou tiveram sua configuração territorial modificada com base nas circunscrições administrativas civis. A este propósito, desejo confirmar que a Santa Sé está disposta a tratar da questão das circunscrições e das províncias eclesiásticas em um diálogo aberto e construtivo com o Episcopado chinês e - onde oportuno e útil - com as Autoridades governamentais" (n. 11).
[Formação dos seminaristas e permanente do Clero]
7. Detivemo-nos, enfim, sobre o tema da formação dos seminaristas e das religiosas, dentro e fora da China. Consideramos as dificuldades que os seminaristas encontram seja para seus estudos no exterior seja na vida de seminário, apreciando também exemplos de coragem e paciência. Constatou-se ainda a necessidade de utilizar ulteriores e mais eficazes instrumentos para favorecer a formação permanente do clero. Notamos com prazer que as comunidades católicas na China organizam, no seu interior, iniciativas com propósito formativo. Para todos resulta oportuno oferecer propostas educativas que desenvolvam de modo integral a personalidade humana e cristã das várias pessoas envolvidas.
[Diálogo com as autoridades]
8. Desejamos que o diálogo sincero e respeitoso com as Autoridades civis ajude a superar as dificuldades do momento atual, para que também as relações com a Igreja Católica contribuam para a harmonia na sociedade.
[Processos de beatificação]
9. Recebemos com alegria a notícia de que a diocese de Shanghai pode iniciar a causa de beatificação de Paulo Xu Guangqi, que se associa à do Padre Matteo Ricci, S.J.
[Importância da oração]
10. Para superar as situações difíceis de cada comunidade, a oração será de grande ajuda. Poder-se-ão organizar várias iniciativas, que vos ajudarão a renovar a vossa comunhão de fé em Jesus Nosso Senhor e de fidelidade ao Papa, a fim de que a unidade entre vós seja sempre mais profunda e visível. Ao mesmo tempo vos asseguramos nossa oração quotidiana, de modo particular por aqueles que enfrentam graves dificuldades de diversos gêneros, e por todos os doentes e sofredores de vossa Nação.

11. No encontro realizado ao final da Reunião Plenária, Sua Santidade reconheceu o desejo de unidade com a Sé de Pedro e com a Igreja universal que os fiéis chineses não cessam de manifestar, ainda que em meio a muitas dificuldades e aflições. A fé da Igreja, exposta no Catecismo da Igreja Católica e que deve ser defendida mesmo a preço de sacrifícios, é o fundamento sobre o qual as comunidades católicas na China devem crescer na unidade e na comunhão.
[Dia de oração pela Igreja na China]
O Santo Padre recordou, então, a importância da formação, em particular a espiritual, para que a vida interior do cristão, educada pela oração pessoal e litúrgica, possa confrontar os desafios do momento atual. Finalmente, confiando toda a grei dos fiéis chineses à intercessão de Maria Santíssima, Rainha da China, renovou o urgente convite a toda a Igreja a que dedique o dia 24 de maio, memória litúrgica da Bem-aventurada Virgem Maria, Auxílio dos Cristãos, à oração pela Igreja na China.

13 de abril de 2011

Fonte: Santa Sé
Tradução: OBLATVS

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Monstro de Realengo: testemunha de Jeová ou muçulmano?

Paulinho Tapajós, ex-professor e muito querido, deu declarações ao Fantástico com as quais não posso concordar. Afirmou sobre a suposta conversão do Monstro de Realengo:

Acharia muito difícil uma Testemunha de Jeová realmente trocar Jesus por Maomé. Não é que seja contraditório, que seja um contra o outro, mas acho meio complicado um fanático por Jesus ser fanático por Maomé, acho difícil acontecer”.

Há mais semelhanças que diferenças entre as duas religiões:

1. Ambas professam um tipo de monoteísmo que exclui a divindade de Jesus Cristo.

2. Os "Testemunhas de Jeová", por negarem o dogma da Santíssima Trindade, não são cristãos no sentido estrito.

3. Os muçulmanos cultivam um tipo de reverência a Jesus Cristo, como um dos profetas, facilmente compreensível a uma testemunha de Jeová.

4. Conversões religiosas não são necessariamente razoáveis.

5. Um "fanático por Jesus" pode se tornar fanático por qualquer pessoa ou coisa. São conhecidos os que de "fanáticos por Jesus" passaram a "fanáticos pela revolução".

6. Embora se declarem pacifistas, os "Testemunhas de Jeová" professam o "direito" de Deus travar a guerra contra Seus inimigos.

Declaração oficial dos "Testemunhas de Jeová" dá conta de que o assassino não era membro da religião. Um sheik muçulmano afirmou que ele também não era muçulmano. Não demora a ser declarado Católico Romano!

Entendo que ninguém queira balançar Mateus, mas é evidente que o assassino ou era testemunha de Jeová ou era muçulmano, ou ambas as coisas.

O que levaria um "fanático", já membro dos "Testemunhas de Jeová", a frequentar um grupo islâmico? Além das similaridades teológicas, talvez porque certas facções muçulmanas se adiantaram na identificação de seus inimigos como os inimigos de "deus" e iniciaram sua guerra. Coisa que, me parece, os "Testemunhas de Jeová" não fizeram.

Ou seja, o Monstro de Realengo era um vanguardista!

Decreto de Reforma dos estudos eclesiásticos de Filosofia

O noticiado Decreto de Reforma dos estudos eclesiásticos de Filosofia foi publicado no site da Santa Sé. Não há, entretanto, uma tradução oficial para o português. Por quê? Talvez porque a filosofia não seja propriamente uma vocação tropical, ou porque os tradutores da "inculta e bela" sejam caros e raros em Roma, ou porque reformas "do bem" não costumem pegar nestas bandas, ou, quem sabe, o espanhol seja um tipo de português mal escrito. Sei lá!

É verdade que a Santa Sé não tem meios de traduzir seus textos em todas as línguas faladas no Orbe Católico, mas bem que podia incumbir as conferências episcopais de os traduzir e torná-los disponíveis em seus sites tão logo venham à luz. Teriam menos tempo de produzir seus próprios documentos ou "análises de conjuntura".

Por ora, contentemo-nos com a língua de Cervantes.

SAGRADA CONGREGACIÓN PARA LA EDUCACIÓN CATÓLICA
Decreto de Reforma de los estudios eclesiásticos de Filosofía

Preámbulo
I. El contexto actual

1. En la obra de evangelización del mundo, la Iglesia sigue con atención y con discernimiento los rápidos cambios culturales que se suceden, los cuales influyen sobre ella y sobre toda la sociedad. Entre las transformaciones de la cultura dominante, algunas, particularmente profundas, afectan a la concepción de la verdad. En efecto, muy a menudo, se advierte una desconfianza relacionada con la capacidad de la inteligencia humana de alcanzar una verdad objetiva y universal, con la cual las personas puedan orientarse en su vida. Además, el impacto de las ciencias humanas y las consecuencias del desarrollo científico y tecnológico provocan nuevos desafíos para la Iglesia.

2. Con la Carta Encíclica Fides et Ratio, el papa Juan Pablo II ha querido reafirmar la necesidad de la filosofía para progresar en el conocimiento de la verdad y para hacer siempre más humana la existencia terrena. De hecho, la filosofía “contribuye directamente a formular la pregunta sobre el sentido de la vida y a trazar la respuesta”[1]. Esta pregunta nace, tanto de la maravilla que el hombre experimenta ante las personas y el cosmos, como de las experiencias dolorosas y trágicas que acometen su vida. El saber filosófico se configura, entonces, como “una de las tareas más nobles de la humanidad”[2].

II. La “vocación originaria” de la filosofía

3. Las corrientes filosóficas se han multiplicado en el transcurso de la historia, manifestando la riqueza de las búsquedas rigurosas y sapienciales de la verdad. Si la sabiduría antigua ha contemplado el ser bajo la perspectiva del cosmos, el pensamiento patrístico y medieval lo ha profundizado y purificado descubriendo en el cosmos la creación libre de un Dios sabio y bueno (cfr. Sb 13,1-9; Hch 17,24-28). Las filosofías modernas han valorizado especialmente la libertad del hombre, la espontaneidad de la razón y su capacidad de medir y dominar el universo. Recientemente, un cierto número de corrientes contemporáneas, más sensibles a la vunerabilidad de nuestro saber y de nuestra humanidad, ha concentrado la propia reflexión sobre las mediaciones del lenguaje[3] y de la cultura. Finalmente, ¿cómo, no recordar, más allá del pensamiento occidental, los numerosos y en algunas ocasiones los notables esfuerzos de compresión del hombre, del mundo y del Absoluto, realizados en las diferentes culturas, por ejemplo asiáticas y africanas? Sin embargo, esta generosa exploración del pensar y del decir no debe en ningún modo, olvidar su radicación en el ser. El “elemento metafísico es el camino obligado para superar la situación de crisis que afecta hoy a grandes sectores de la filosofía y para corregir así algunos comportamientos erróneos difundidos en nuestra sociedad”[4]. En esta prospectiva, los filósofos están invitados a recuperar con fuerza la “vocación originaria” de la filosofía[5]: la búsqueda de lo verdadero y su dimensión sapiencial y metafísica.

4. La sabiduría considera los principios primeros y fundamentales de la realidad, y busca el sentido último y pleno de la existencia, permitiéndose, de esta forma, ser “la instancia crítica decisiva que señala a las diversas ramas del saber científico su fundamento y su límite”, y situarse “como última instancia de unificación del saber y del obrar humano, impulsándolos a avanzar hacia un objetivo y un sentido definitivos”[6]. El carácter sapiencial de la filosofía implica su “alcance auténticamente metafísico, capaz de trascender los datos empíricos para llegar, en su búsqueda de la verdad, a algo absoluto, último y fundamental”[7], si bien conocido progresivamente a lo largo de la historia. De hecho, la metafísica o filosofía primera trata del ente y de sus atributos y, de esta forma, se eleva al conocimiento de las realidades espirituales, buscando la Causa primera de todo[8]. Sin embargo, este subrayado del carácter sapiencial y metafísico no se debe entender como una concentración exclusiva sobre la filosofía del ser, ya que todas las diversas partes de la filosofía son necesarias para el conocimiento de la realidad. Es más, el propio campo de estudio y el método específico de cada una se deben respetar en nombre de la adecuación a la realidad y de la variedad de los modos humanos de conocer.

III. La formación filosófica en el horizonte de una razón abierta

5. Frente al “aspecto sectorial del saber” que “en la medida en que comporta una aproximación parcial a la verdad, con la consiguiente fragmentación del sentido, impide la unidad interior del hombre contemporáneo”, resuenan con fuerza estas palabras de Juan Pablo II: “Asumiendo lo que los Sumos Pontífices desde algún tiempo no dejan de enseñar y el mismo Concilio Ecuménico Vaticano II ha afirmado, deseo expresar firmemente la convicción de que el hombre es capaz de llegar a una visión unitaria y orgánica del saber. Éste es uno de los cometidos que el pensamiento cristiano deberá afrontar a lo largo del próximo milenio de la era cristiana”[9].

6. En la prospectiva cristiana, la verdad no puede estar separada del amor. Por una parte, la defensa y la promoción de la verdad son una forma esencial de caridad: “Defender la verdad, proponerla con humildad y convicción y testimoniarla en la vida son formas exigentes e insustituibles de caridad”[10]. Por otra parte, sólo la verdad permite una caridad verdadera. “La verdad es luz que da sentido y valor a la caridad”[11]. Finalmente, la verdad y el bien están estrechamente conectados: “La verdad significa algo más que el saber: el conocimiento de la verdad tiene como finalidad el conocimiento del bien. Este es también el sentido del interrogante socrático: ¿Cuál es el bien que nos hace verdaderos? La verdad nos hace buenos y la bondad es verdadera”[12]. Mediante la propuesta de una visión orgánica del saber que no está separada del amor, la Iglesia puede aportar su específica contribución, capaz de incidir eficazmente también en los proyectos culturales y sociales[13].

7. Por esto, la filosofía que se cultiva al interno de la Universidad está llamada en primer lugar a acoger el reto de ejercitar, desarrollar y defender una racionalidad de ‘horizontes más amplios’, mostrando que “es de nuevo posible ensanchar los espacios de nuestra racionalidad […], conjugar entre sí la teología, la filosofía y las ciencias, respetando plenamente […]su recíproca autonomía, pero siendo también conscientes de su unidad intrínseca[14]. En el plano institucional, volver a encontrar “este gran logos”, “esta gran amplitud de la razón” es propiamente la gran tarea de la Universidad[15].

IV. La formación filosófica en los Institutos eclesiásticos de Estudios superiores

8. La Iglesia ha alimentado siempre una gran solicitud por la filosofía. En efecto, la razón – de la cual la creación dota a cada persona – es una de las dos alas con las cuales el hombre se eleva hacia la contemplación de la verdad, y la sabiduría filosófica constituye el vértice que la razón puede alcanzar[16]. En un mundo rico de conocimientos científicos y técnicos, pero amenazado por el relativismo, sólo la “horizonte sapiencial”[17] aporta la visión integral y la confianza en la capacidad que tiene la razón de servir a la verdad. He aquí el motivo por el cual la Iglesia alienta vivamente una formación filosófica de la razón abierta a la fe, sin confusión ni separación[18].

9. Además, la filosofía es indispensable para la formación teológica. En efecto, “la teología ha tenido siempre y continúa teniendo necesidad de la aportación filosófica”[19]. Facilitando la profundización de la Palabra de Dios revelada, con su carácter de verdad trascendente y universal, la filosofía evita de quedarse en el nivel de la experiencia religiosa. Justamente se ha observado que “la crisis de la teología postconciliar se debe en gran parte a la crisis de sus fundamentos filosóficos […] Cuando los fundamentos filosóficos no vienen clarificados, a la teología le falta el terreno sobre el cual se sostiene; ya que, entonces, no queda claro hasta que punto el hombre conoce verdaderamente la realidad, ni cuales son las bases a partir de las que él puede pensar y hablar”[20].

10. Finalmente, la preparación filosófica constituye, en modo particular, “un momento esencial de la formación intelectual” para los futuros sacerdotes: “Sólo una sana filosofía puede ayudar a los candidatos al sacerdocio a desarrollar una conciencia refleja de la relación constitutiva que existe entre el espíritu humano y la verdad, la cual se nos revela plenamente en Jesucristo”[21]. En efecto, “el estudio de la filosofía tiene un carácter fundamental e imprescindible en la estructura de los estudios teológicos y en la formación de los candidatos al sacerdocio. No es casual que el curriculum de los estudios teológicos vaya precedido por un período de tiempo en el cual está previsto una especial dedicación al estudio de la filosofía”[22].

11. Una adecuada formación filosófica en el ámbito de las Instituciones académicas eclesiásticas debe comprometer tanto a los “habitus” intelectuales como a los contenidos.

Con la adquisición de los “habitus” intelectuales, científicos y sapienciales, la razón aprende a conocer más allá de los datos empíricos. En modo particular, el debate intelectual en una sociedad pluralista, fuertemente amenazada por el relativismo y por las ideologías, o bien en una sociedad donde falta una auténtica libertad, exige de parte de los estudiantes de las Facultades eclesiásticas, la adquisición de una sólida forma mentis filosófica. Estos “habitus” permiten pensar, conocer y razonar con precisión, y también dialogar con todos en modo incisivo y sin temores.

La dimensión de los “habitus” está, de todas formas, enlazada con la asimilación de los contenidos firmemente adquiridos, es decir, brota del conocimiento y de la profundización de las verdades más importantes adquiridas por el empeño filosófico, a veces con la influencia de la Revelación divina. Para llegar al conocimiento riguroso y coherente del hombre, del mundo y de Dios[23], se requiere que la enseñanza de la filosofía se base en el “patrimonio filosófico perennemente válido”, que se ha ido desarrollando a través de la historia, y, al mismo tiempo, se abra para acoger las contribuciones que la investigación filosófica ha aportado y continúa aportando[24]. Entre las verdades fundamentales, algunas tienen un carácter central y particularmente actual: la capacidad de alcanzar una verdad objetiva y universal y un conocimiento metafísico válido[25]; la unidad cuerpo-alma en el hombre[26]; la dignidad de la persona humana[27]; las relaciones entre la naturaleza y la libertad[28]; la importancia de la ley natural y de las “fuentes de la moralidad”[29], en particular, del objeto del acto moral[30]; la necesaria conformidad de la ley civil y de la ley moral[31].

12. Ya sea para la adquisición de los “habitus” intelectuales, como también para la asimilación madura del patrimonio filosófico, tiene un lugar relevante la filosofía de San Tomás de Aquino, quien ha sabido poner “la fe en una relación positiva con la forma de razón dominante en su tiempo”[32]. Por esto, es llamado aún en nuestros tiempos “apóstol de la verdad”[33]. En efecto, “precisamente porque la buscaba [la verdad] sin reservas, supo reconocer en su realismo la objetividad de la verdad. Su filosofía es verdaderamente la filosofía del ser y no del simple parecer”[34]. La preferencia atribuída por la Iglesia a su método y a su doctrina no es exclusiva, sino “ejemplar”[35].

Seguem a exposição de motivos e as normas da presente reforma aqui.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Correção fraterna

Acabo de ler um e-mail de um amigo que vive no estrangeiro. Acusou-me, como de costume, de ser muito negativo. Lendo a última publicação sobre os mitos que rondam a missa versus populum, propôs uma alternativa às minhas muitas negativas. Em vez de:

"Não! Na Igreja primitiva NÃO se celebrava versus populum".
"Não! O simples fato de se celebrar versus populum NÃO traz benefícios pastorais e espirituais".
"Não! O Vaticano II NÃO mandou que se celebrasse versus populum".

Ele propõe:

"SIM! A Igreja primitiva celebrava ad Orientem".
"SIM! Celebrar ad Orientem traz benefícios pastorais e espirituais".
"SIM! O Vaticano II determinou que se celebrasse ad Orientem".

Assim, segundo ele, teríamos os três argumentos que contam: arqueologismo, pastoralismo e conciliarismo.

É. Pode ser!

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Ad Orientem - a direção do culto divino no Antigo e no Novo Testamentos

O Ofício das Leituras desta 2ª feira da IV semana da Quaresma traz uma leitura do Levítico (16, 2-28) sobre o Dia da Expiação. A segunda leitura é uma homilia de Orígenes em que comenta o texto veterotestamentário.

Há não muitos anos o debate sobre a orientação da Santa Missa era um tabu. O grande responsável pela mudança de ambiente é o Papa Bento XVI. Também João Paulo II celebrava ad Orientem em sua capela particular. Mas é Bento XVI quem o faz publicamente, na Capela Sistina, além de sua contribuição teórica, em inúmeros escritos anteriores ao Sumo Pontificado.

Argumenta Joseph Ratzinger, segundando liturgistas e historiadores, que a celebração versus populum é contrária à Tradição. Segundo o Papa teólogo, tal desorientação é um mito difundido pelos teóricos e reformadores que souberam dar uma roupagem supostamente "restauracionista" ao que era, na realidade, uma inovação absoluta. Outros preferiram amparar a mudança radical no falso pressuposto de que tal arranjo seria espiritual e pastoralmente benéfico.

Não se discute a validade da Santa Missa versus populum; não é o que faz Joseph Ratzinger. Discutem-se os benefícios de sua correta orientação e, consequentemente, os prejuízos de sua desorientação. 

Por que o Papa não determina, já que pode fazê-lo, um retorno à prática apostólica, zelosamente preservada no Oriente e no Ocidente nos últimos 20 séculos?

Porque uma das virtudes mais valiosas que deve ornar um Sumo Pontífice é a prudência. Proibir a celebração versus populum daria a impressão de autoritarismo, arbitrariedade, insensibilidade pastoral e espírito de mudancismo - tudo o que fizeram os reformados do século passado. Mais importante é formar as novas gerações, educá-las no espírito da Liturgia, apresentá-las à genuína orientação litúrgica e, sobretudo, derrubar os velhos mitos.

Que tal uma demitização?

Não! Na Igreja primitiva NÃO se celebrava versus populum.
Não! O simples fato de se celebrar versus populum NÃO traz benefícios pastorais e espirituais.
Não! O Vaticano II NÃO mandou que se celebrasse versus populum.

Segue abaixo a homilia de Orígenes, ordenado sacerdote por volta do ano 230!

Cristo, sumo sacerdote, é a nossa propiciação

Uma vez por ano o sumo sacerdote, afastando-se do povo, entra no lugar onde estão o propiciatório, os querubins, a arca da aliança e o altar do incenso; ninguém pode entrar aí, exceto o sumo sacerdote.

Mas consideremos o nosso verdadeiro sumo sacerdote, o Senhor Jesus Cristo. Tendo assumido a natureza humana, ele estava o ano todo com o povo – aquele ano do qual ele mesmo disse: O Senhor enviou-me para anunciar a boa-nova aos pobres; proclamar um ano da graça do Senhor e o dia do perdão (cf. Lc 4,18.19) – e uma só vez durante esse ano, no dia da expiação, ele entrou no santuário, isto é, penetrou nos céus, depois de cumprir sua missão redentora, e permanece diante do Pai, para torná-lo propício ao gênero humano e interceder por todos os que nele creem.

Conhecendo esta propiciação que reconcilia os homens com o Pai, diz o apóstolo João: Meus filhinhos, escrevo isto para que não pequeis. No entanto, se alguém pecar, temos junto do Pai um Defensor: Jesus Cristo, o Justo. Ele é a vítima de expiação pelos nossos pecados (1Jo 2,1-2).

Paulo lembra igualmente esta propiciação, ao falar de Cristo: Deus o destinou a ser, por seu próprio sangue, instrumento de expiação mediante a realidade da fé (Rm 3,25). Por isso, o dia da expiação continua para nós até o fim do mundo.

Diz a palavra divina: Na presença do Senhor porá o incenso sobre o fogo, de modo que a nuvem de incenso cubra o propiciatório que está sobre a arca da aliança; assim não morrerá. Em seguida, pegará um pouco do sangue do bezerro, e com o dedo, aspergirá o lado oriental do propiciatório (cf. Lv 16,13-14). Ensinou assim aos antigos como havia de ser celebrado o rito de propiciação, oferecido a Deus em favor dos homens.

Tu, porém, que te aproximaste de Cristo, o verdadeiro sumo sacerdote que, como seu sangue, tornou Deus propício para contigo e te reconciliou com o Pai, não fixes tua atenção no sangue das vítimas antigas. Procura antes conhecer o sangue do Verbo e ouve o que ele mesmo te diz: Isto é o meu sangue, que será derramado por vós, para remissão dos pecados (cf. Mt 26,28).

Também a aspersão para o lado do oriente tem o seu significado. Do oriente nos vem a propiciação. É de lá que vem aquele homem cujo nome é Oriente e que foi constituído mediador entre Deus e os homens. Por esse motivo és convidado a olhar sempre para o oriente, de onde nasce para ti o Sol da justiça, de onde a luz se levanta sobre ti, para que nunca andes nas trevas, nem te surpreenda nas trevas o último dia; a fim de que a noite e a escuridão da ignorância não caiam sorrateiramente sobre ti, mas vivas sempre na luz da sabedoria, no pleno dia da fé e no fulgor da caridade e da paz.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...