"Oblatus est, quia ipse voluit, et peccata nostra ipse portavit!"

domingo, 25 de abril de 2010

Catedrais (XXV)

Cathedral of the Sacred Heart
Diocese of Gallup / New Mexico 

Cathedral of the Immaculate Heart of Mary
Diocese of Las Cruces / New Mexico

Cathedral Basilica of Saint Francis of Assisi
Archdiocese of Santa Fe / New Mexico

Aliança entre progressistas e muçulmanos tem Igreja por alvo

Pensava em escrever sobre a incoerente posição de Huns Küng, sacerdote e teólogo católico (sic elevado à enésima potência!) sobre as necessidades dos muçulmanos, quando me deparei com um texto pronto, que subscrevo integralmente. Recentemente o islã foi objeto da atenção de Küng em sua guerra pessoal ao Santo Padre; acusar o Sumo Pontífice é tudo o que resta à sua vida decadente, é o que lhe dá a sensação de ainda prestar para alguma coisa – ainda que seja aos propósitos dos inimigos da Igreja.

Traduzo e publico abaixo o texto de Marco Bongi, do Messa in latino, onde as incoerências e intenções de gente como Küng são expostas:

“1 – Os catoprogressistas não perdem a ocasião de engrandecer as grandes conquistas da modernidade entre as quais a laicidade do Estado e a clara separação entre Fé e política. Ora, é sabido que, ao contrário, não existe sobre a Terra uma religião mais absolutista que o ISLÃ no tocante à identificação entre estas duas dimensões humanas.

2 – Os nossos amigos ‘conciliaristas’ sublinham a dimensão comunitária, alegre, misericordiosa da religião. Quando se lhes fala de Direito Canônico torcem o nariz e dizem que o amor de Deus não pode ser contido num código. O ISLÃ é, por sua vez, uma religião ‘jurídica’ por excelência. Dizia um conhecido padre libanês que quando se entra numa livraria islâmica 90% dos títulos dizem respeito ao ‘FIKR’, ou seja, à Sharia, isto é, ao direito muçulmano.

3 – Segundo nossos irmãos de Fé conciliar Deus é bom, tão bom, boníssimo, um verdadeiro bonachão que tudo perdoa e esquece. O Deus dos muçulmanos não conhece o amor, pede somente a submissão absoluta e incondicional.

4 – Para os catoprogressistas o inferno não existe ou está vazio. Para o ISLÃ está repleto e a ele acorrem não somente os muçulmanos réprobos mas todos, repito, todos os seguidores de outras religiões.

5 – Os nossos amigos amam e propugnam a ‘liberdade religiosa’ como dogma indiscutível. Para o ISLÃ quem se converte é um infiel, quem abjura é automaticamente condenado à morte.

6 – Os católicos modernos zombam das senhoras tradicionalistas que põem o véu na igreja e depois... Defendem com espada desembainhada o direito das mulheres muçulmanas endossarem o véu.

7 – Sempre os mesmos nossos confrades rasgam as vestes contra quem pretende usar o latim como língua litúrgica. O ISLÃ vai além: sustenta que Deus fala apenas em árabe antigo e que não seja possível sequer traduzir seu texto sagrado, o Corão.

8 – Sempre os mesmos não fazem senão encher a boca com os direitos das mulheres, denunciando o fato de que a Igreja não daria bastante espaço ao sexo frágil. Pedem mulheres sacerdotes e ‘bispas’. O ISLÃ não reconhece às mulheres nem mesmo o direito de herdar na mesma medida em que os homens. Reconhece-as como propriedade dos pais e dos maridos, mas para eles, segundo certos bispos, evidentemente está bem assim.

9 – ‘Acabou-se o tempo dos jejuns e das abstinências’. Basta com estas heranças medievais. O que importa a Deus se eu como ou não. Eis outra afirmação típica de teólogos pós-conciliares. Quando se trata, porém, do Ramadan o discurso muda radicalmente: é preciso respeitar e adequar-se às exigências dos irmãos muçulmanos. Quando acaba seu mês de jejum é preciso unir-se à sua festa e misturar-se à sua alegria.

10 – O que dizer então da paz? Paz, paz. Não existe mais a guerra justa. O Bispo de Evreux se veste inclusive com uma casula ‘arco-íris’. ‘Todos devemos ser pacifistas’, declaram unanimemente os católicos ‘adultos’ de nossos dias. Pena que o ISLÃ considere a guerra santa como um dos cinco grandes pilares da fé. E sabe-se que tal guerra não é considerada apenas em sua dimensão espiritual.

Cheguei a dez pontos mas poderia continuar. A situação, entretanto, parece clara: entre catolicismo modernista e ISLÃ não deveria haver pontos de contato. As orientações parecem inclusive antitéticas... Incrível de se dizer: os dois grupos estão de acordo! Ou melhor, os catoconciliaristas querem estar de acordo com os islâmicos. Os bispos pedem a construção de Mesquitas, participam da inauguração das mesmas, festejam juntos o fim do Ramadan, se solidarizam com as mulheres de véu e mais se poderia dizer.

Alguém saberia me explicar os motivos deste absurdo?

A única resposta que me ocorre, à primeira vista, admito, é provocatória: os modernistas e os islâmicos são aliados porque têm em comum um inimigo principal: a Igreja Católica.”

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Simpósio de Liturgia em Campos

Grande evento litúrgico terá lugar em Campos no início de maio. Por ocasião do aniversário de criação de uma paróquia camposina, realizaremos um tríduo preparatório que contará com as celebrações solenes em três ritos católicos.

Fiz hoje contato com um padre maronita que celebrará em seu rito, em árabe e siríaco; teremos ainda a Santa Missa Solene segundo o Missal Tradicional e concluiremos com a Santa Missa Solene segundo o novo Missal.

As Santas Missas serão precedidas por uma conferência sobre a riqueza do patrimônio litúrgico da Igreja conforme expressa nos ritos em questão.

Maiores detalhes darei oportunamente.


Nomeação de Mons. Gómez causa esperadas reações

Os que podem entender alemão ou ler inglês devem assistir à reação do Führer quando foi informado da nomeação de S. Exa. Dom José Horacio Gómez como Arcebispo Coadjutor de Los Angeles.

A cena, originalmente desenrolada nos abismos, foi adaptada a fim de não ofender aos mais sensíveis. Os atores se esmeraram em traduzir fielmente os infernais sentimentos, sem apavorar os espectadores com a terrível visão do inferno.


Frei Betto, o povo cubano não quer um "capelão do trono". Cai fora!

Enquanto redijo as respostas aos discursos do senhor Frei Betto, da senhora Caridad Diogo e do Reverendo Raúl Suárez, publicados no jornal Granma na Sexta-feira Santa, 2 de abril, comunicam-me que, na prisão “Combinado del Este”, foi negada ao prisioneiro de consciência Regis Iglesias Ramírez a assistência aos ofícios celebrados pelo Cardeal Ortega, neste centro de reclusão. Nenhum prisioneiro de consciência pôde estar presente nestes ofícios.

Regis Iglesias, é um jovem de Liberación, é um dos Prisioneiros da Primavera de Cuba, porta-voz de nosso movimento, condenado a dezoito anos por promover o Projeto Varela. Assim como os outros prisioneiros de consciência cubanos, ele se nega a vestir o uniforme de prisioneiro comum. Mas Regis sabe, como todos nós, que para Jesus não são barreiras as paredes e as grades desta prisão desumana e que ali está com eles celebrando Sua Ressurreição.

Impõe-se a Regis e a muitos outros prisioneiros políticos, como condição para assistir aos ofícios religiosos, que vistam o uniforme de prisioneiro comum. Eles não aceitam a chantagem.

Essa mentalidade de condicionamento é semelhante à lógica do senhor Betto, segundo a qual os cristãos podem ser aceitos como tais para apoiar a revolução, ou melhor, o projeto totalitário imposto em Cuba. Essa doutrina de “vestir o uniforme”, e não a do direito inalienável dos filhos de Deus, é o pano de fundo do trabalho de Frei Betto em Cuba.

Frei Betto (não sei se ainda é frade, digo-o com respeito) tem sido em Cuba a antítese da libertação, pois tem propagado a doutrina da submissão, do condicionamento, do alinhamento dos cristãos com o totalitarismo como condição para o respeito ao culto religioso. Com seu apoio a um regime opressivo, ele não defende o direito nem a liberdade de consciência, uma vez que nega o direito dos seres humanos cuja fonte é a primeira liberdade, sem condições, a liberdade dos filhos de Deus. Sua visão é reacionária e palaciana, ele olha os cristãos cubanos através de Fidel Castro, por isso quando publicou seu livro o fez através deste prisma. Betto preferiu falar de Fidel e a Religião. Eu quero falar do povo de Deus, do povo e a religião, do cubano e sua fé, como diria o Padre Santana, que morreu na diáspora.

Quero falar de outro frade, Frei Miguel Angel Loredo, sempre parte entranhável de nossa Igreja, embora esteja no desterro, depois de tornar-se “alguém incômodo”. Ele foi e é vítima de uma farsa de Estado, acusado com falsidades, julgado e condenado à prisão, onde esteve por anos. Estou seguro, porque o conheço, de que nele não há ódio ou rancor, mas o acobertamento da verdade em questão é uma injustiça sustentada contra ele e contra a Igreja e o povo de Cuba. Frei Betto poderia denunciar esta injustiça contra outro frade. Se Betto vem ao bairro do Cerro, aqui no parque Manila, verá um letreiro pintado em julho de 2006 que diz: “em uma praça sitiada a dissidência é traição”. Escreveram-no turbas do Partido Comunista, os Comitês de Defesa da Revolução dirigidos pela Segurança do Estado, sob as ordens do governo em represália pelo lançamento do Programa Todos Cubanos (www.oswaldopaya.org), algo que jamais ele [Betto] se atreveria a publicar, como não publicou o Projeto Varela. Num domingo de julho de 2006, regressávamos da igreja minha esposa, nossos três filhos e eu. Ali estavam as turbas, apoiadas por policiais uniformizados, provocando-nos, tirando fotografias e debochando com toda a força da covardia que este poder dá. Dias depois completaram o cartaz pondo como assinatura “Santo Inácio de Loyola”. Outro ato de repúdio, em 29 de julho desse mesmo ano, também em frente a minha casa e terminaram cantando a Internacional. “Nem César, nem burguês, nem Deus”, dizia em sua nostalgia stalinista.

O fato é que no Livro de Ignacio Ramonet (o do Le Monde Diplomatique) que, ao que parece, já se escrevia naquela época, aparece nas primeiras páginas a frase “numa praça sitiada a dissidência é traição”.

Tal como Betto, Ramonet fez um livro com Fidel Castro, mas de 100 horas, nisso superou as 23 horas de Betto. Por isso, por causa dos livros é que cito este fato. Eu sei o que os cubanos pensam e pensam bem.

Frei Betto aqui em Cuba é um homem de palácio, não defende o povo, mas o status da minoria do poder, não defende os pobres que não tem voz sequer para dizer que são pobres. Aqui em Cuba ele pode falar através do Granma, órgão oficial do Partido Comunista e insulta milhões de cristãos cubanos, desfigurando a história e a realidade da perseguição e da opressão que sofremos no passado e que ainda sofremos hoje. Betto oculta que o intento do regime comunista é descristianizar nossa vida, nossa cultura. Desta maneira o regime pretendia anular ou silenciar a fé dos cubanos, a raiz cristã e a memória cristã de nosso povo. Esta descristianização era imprescindível ao regime para submeter totalmente o povo e apropriar-se perversamente da pessoa humana. Toda uma política de Estado que se realizava na negação sistemática da fé dos cubanos, de sua moral, de seus valores, de sua família e das tradições cristãs do povo. Realizou-se na perseguição, no confinamento em campos de trabalho forçado a milhares de jovens cristãos, no despojo abusivo. Realizou-se e se realiza na exclusão, na infâmia contra os filhos e os padres da Igreja, na chantagem, no boicote, na doutrinação atéia sob coação impiedosa contra meninos indefesos, nos abusos mais covardes, no desterro e no martírio. Betto reduz tudo desrespeitosamente dizendo que era uma questão de “preconceito dos comunistas e medo dos cristãos”. Antes de qualquer coisa e por justiça devo dizer em nome de milhares de cubanos que todo esse horror não conseguiu fazer com que negássemos nossa fé nem nossa pertença à Igreja. Por esta causa muitos ainda sofrem o desterro na Igreja da diáspora cubana e outros dentro de Cuba, mas sem medo, senhor Betto.

Frei Betto torna-se alentador da intolerância e da imposição da mentira abusando da desvantagem de um povo amordaçado, reforçando em nívem mais profundo o dano causado ao ser humano por esta ordem sem direitos, que todavia se impõe pelo medo. O povo cubano não necessita, nem quer, que alguém venha de fora para ocupar o lugar de capelão do trono, porque é um lugar que nenhum membro da Igreja em Cuba aceitou nem aceitará jamais.

Em Cuba pode ser que haja muitos comunistas, o fato é que sempre houve muito mais cristãos, inclusive quando os comunistas não podiam dizer que eram cristãos [membros do partido, não necessariamente adeptos da doutrina – ainda assim duas realidades incompatíveis]. Há um regime de medo contra os cristãos, contra os comunistas, contra os comunistas cristãos e contra os que não são nem cristãos nem comunistas, porque é o medo contra os cubanos.

O caminho das mudanças pacíficas que propomos com a maioria dos que estão na prisão injusta podem ser encontrados no documento “Unidos en la Esperanza” ( www.oswaldopaya.org). Eu o convido, senhor Frei Betto, a um debate ou diálogo sobre isto e sobre o que o senhor quiser nos meios de comunicação cubanos, pagos pelo povo, mas que o senhor usa e nós não podemos usar para nos expressar.

Se Frei Betto quer servir à causa da justiça e da paz que promova o diálogo entre cubanos, sem exclusões, como homens e mulheres livres. Terá, todavia, que fazê-lo do estrangeiro, porque caso se atrevesse a fazê-lo, já não mais entraria em Cuba. Pelo menos por agora. Ele o sabe, ele sabe que aqui nem mesmo ele é livre, embora possa ser livre caso se una em espírito ao Movimiento Cristiano Liberación.

Alcançaremos o perdão e a reconciliação num ambiente de confiança e esta só se dá no respeito aos direitos e à liberdade de todos e cada um dos cubanos, sem condições. Isto sim é libertação.

Oswaldo José Payá Sardiñas

Coordenador do Movimiento Cristiano Liberación

Domingo da Ressurreição do ano 2010

Fonte: http://www.oswaldopaya.org/

Tradução: OBLATVS



quarta-feira, 7 de abril de 2010

Quem são Polanski e Frédéric Mitterrand?

Atendo a uma leitora e esclareço a referência feita a duas figuras públicas, recentemente envolvidas em escândalos de pedofilia.

Roman Polanski, famoso cineasta francês, 76 anos. Como melhor diretor ganhou o Oscar pelo filme “O pianista” (2002), o César pelo filme “Tess” (1979), o Globo de Ouro pelo filme “Chinatown” (1974), e o Urso de Ouro pelo filme “Armadilha do Destino” (1966).

Em 1977, confessou ter abusado sexualmente de uma menina de 13 anos, após drogá-la, nos Estados Unidos – tinha 44 anos na época. Foi condenado pela justiça americana e fugiu do país. Desde então, viveu como fugitivo na França e na Polônia, países não susceptíveis de extraditá-lo. Foi preso no aeroporto de Zurich, a pedido da polícia americana, quando pretendia receber o Golden Icon Award no Festival de Cinema de Zurich.

Réu confesso – e não simples acusado – Polanski foi tratado com a habitual condescendência dedicada aos “queridinhos” da elite cultural. Pretendem-se inimputáveis, infensos à justiça que se aplica aos simples mortais, seres acima do bem e do mal. Saíram em sua defesa ícones do cinema: Woody Allen, Pedro Almodóvar, Martin Scorcese, David Lynch, entre outros. Não duvide se os vir acusando o Papa Bento XVI de acobertamento de pedófilos – essa gente é mau-caráter!

Frédéric Mitterrand, Ministro de Estado francês, 62 anos. Sobrinho do presidente socialista francês François Mitterrand, além de político, é ator, roteirista, escritor, diretor e apresentador de TV. Saiu em defesa de seu compatriota, Polanski, quando este foi detido pela polícia suíça.

Em sua autobiografia La mauvaise vie (2005), descreve o prazer que sentia em suas viagens a Bangkok, onde pagava pelos “favores sexuais” de meninos tailandeses. Na ocasião, o Ministro da Cultura e das Comunicações recebeu as loas do establishment cultural pela sua honestidade. Tendo saído em defesa de Polanski, foi publicamente confrontado e sua demissão foi pedida pelo Partido Nacionalista e pelo Partido Socialista.

Negou que seu livro fosse autobiográfico, afirmou que a palavra “meninos” no livro não significa menores e condenou “o turismo sexual, que é uma desgraça” e a pedofilia, da qual afirma nunca ter participado.

A declaração lacônica, a despeito de todas as evidências, foi o suficiente para Sarkozy o manter no cargo e não mais se tocar no assunto.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Mahony quis influenciar sucessão e deu com os burros n'água

A mídia virtual católica reverbera, muito compreensivelmente, a nomeação do novo arcebispo coadjutor de Los Angeles, S. Exa. Revma. Dom José Horacio Gómez. O coadjutor tem direito à sucessão quando da aceitação da renúncia do titular da Sé.

No caso específico de Los Angeles, a sucessão se dará no primeiro semestre de 2011 quando o Cardeal Roger Mahony completa 75 anos (n. 27/02/1936), 26 deles à frente da arquidiocese californiana.

Dom Gómez era, até o momento, arcebispo de San Antonio no Texas. Nascido no México e membro do Opus Dei, o novo coadjutor tem 59 anos. Em virtude da praxe vaticana de não admitir dois cardeais eleitores em uma única Sé, o arcebispo Gómez não será criado cardeal antes de 2016, quando o Cardeal Mahony completa 80 anos e, automaticamente, perde o direito de participar do Conclave.

O renascimento do catolicismo nos Estados Unidos, após décadas de autodemolição, é visto como sinal de esperança para toda a Igreja. A crise causada pelos escândalos de pedofilia não conseguiu deter o crescimento quantitativo e qualitativo daquelas Igrejas particulares, sobretudo nas dioceses em que os bispos souberam ver a raiz dos males que os afligiam e lançar mão do machado.

A arquidiocese de Los Angeles é bastante emblemática e, por isso, a sucessão ganha contornos tão dramáticos. O Cardeal Mahony é um progressista à moda antiga, representa o que há de pior em tergiversações, acomodações e experimentos pastorais e litúrgicos que levaram à perda quase completa da identidade católica de sua arquidiocese.

Mahony fez questão de solicitar uma transição enquanto se mantém no cargo, de modo a poder influenciar mais diretamente na escolha do sucessor, e de fato – segundo algumas fontes – deu seu placet à terna apresentada ao Santo Padre pela nunciatura. Difícil acreditar que o nome do Arcebispo Gómez figurasse naquela lista. Admitindo que ali se achasse, arrisco-me a dizer que seria o último dos nomes e que, ainda assim, contrariasse as preferências do cardeal. Lamentavelmente, os fatos sustentam um juízo tão negativo e, felizmente, o Santo Padre conhece como ninguém as pessoas envolvidas – conhecimento que os anos de Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé lhe deram.

O Cardeal Mahony é um “queridinho” dos círculos progressistas americanos, o que significa que suas ações são sempre objeto de uma “benévola recepção” e seus erros desculpados com uma dose extra de generosidade. A mesma “piedosa escusa” é dada a seus colegas, o arcebispo progressista americano Weakland e o bispo francês deposto Jacques Gaillot. Este último, após reconhecer que aceitou em sua diocese um notório pedófilo, saiu-se com esta: “Isto foi há mais de 20 anos... Foi um erro”. E nenhuma voz contra ele se levanta. Benevolência maior só é dedicada a Polanski e a Frédéric Mitterrand.

Rezemos por Dom Jose Gómez. Ele não pode errar. Não me refiro à leniência com pedófilos – onde evidentemente não pode errar – mas a outros equívocos tão comuns à natureza humana. Errando e, principalmente, acertando será alvo das investidas dos inimigos externos da Igreja e sobretudo dos seus mais perigosos inimigos, os internos.

sábado, 3 de abril de 2010

Catedrais (XXIV)

Cathedral of the Immaculate Conception
Diocese of Camden / New Jersey 

Vathedral of Saint Francis of Assisi
Diocese of Metuchem / New Jersey 

Cathedral Basilica of the Sacred Heart
Archdiocese of Newark / New Jersey 

Cathedral of Saint Michael the Archangel
Eparchy of Passaic / New Jersey
Ruthenian Catholic Church 

Cathedral of Saint John the Baptist
Diocese of Paterson / New Jersey 

Cathedral of Saint Mary of the Assumption
Diocese of Trenton / New Jersey

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Missa dos Santos Óleos em Campos

A esperada surpresa que nos faria o Santo Padre nesta Quinta-feira Santa não deu – ainda – o ar da graça. Espero não haver no boato qualquer relação com o 1º de abril... Aguardo a Missa Vespertina.

Acabo de chegar da Catedral-Basílica do Santíssimo Salvador, a de Campos, evidentemente. Não há como não reconhecer notáveis progressos na liturgia em relação aos anos passados. Destaco, sobretudo, a qualidade da música sob a responsabilidade de um pequeno grupo de Arautos do Evangelho. Souberam escolher entre algumas peças em latim, gregoriano e polifonia, e outras em português.

Dom Roberto fez-nos uma excelente homilia, centrada na figura de São João Maria Vianney, tal como no-lo apresenta o Papa Bento XVI na carta de convocação do Ano Sacerdotal.

O clero de Campos, cada dia mais numeroso, estava todo presente, com exceção de uns poucos idosos ou enfermos. O presbitério da Catedral, dentro de muito pouco tempo, já não comportará os sacerdotes diocesanos. Sou de um tempo em que sacerdotes e seminaristas não preenchiam o amplo presbitério; hoje, os seminaristas ocupam os primeiros bancos da nave e os sacerdotes se apertam em cadeiras improvisadas – e se destaque que não havia sequer dez padres religiosos.

Mas nem tudo se deu como convém. Procuro e não acho uma explicação para a manutenção de um “canto de paz” que, além de prorrogar um gesto secundário, transforma a preparação imediata para a comunhão numa confraternização geral, com direito à movimentação cheia de rebuliço de mais de setenta padres no presbitério. Que rematado exemplo de deseducação litúrgica para os fiéis, alguns dos quais têm ciência da verdadeira natureza do rito e do gesto litúrgico.

Lamento também o arranjo do Altar. Duas “donzelas” sobre uma toalha branca! Se há um arranjo tipicamente “papal” – na verdade, o arranjo tradicional – há também um arranjo “campista”. Estas “donzelas” são praticamente onipresentes na diocese, embora eu não saiba dizer quem as tenha introduzido, suponho que seja alguém com mais autoridade que o Papa, já que não há quem pareça capaz de desafiá-las.

Escritor português não católico defende a Igreja e o Papa

O artigo abaixo é de Artur Rosa Teixeira, escritor português não católico. O texto foi publicado ainda no site do Pravda, jornal russo, outrora porta-voz do comunismo mundial. Não subscrevo todas as posições do autor, mas pareceu-me muito razoável no conjunto. A Providência sempre a nos surpreender e a nos consolar nesta hora tenebrosa.

Muitas das notícias que nos chegam, no seu afã de propaganda ideológica encapotada, contêm o erro fundamental de confundir a árvore com a floresta… sobretudo quando o objectivo é denegrir.

Ou seja, a partir de um caso isolado, de preferência de contornos escabrosos, generaliza-se de forma a induzir o leitor a pensar que todo o conjunto é da mesma natureza. Tal generalização obviamente tem conotações ideológicas e obedece a uma agenda política que visa desconstruir a Sociedade Tradicional e todas as suas instituições seculares para impor uma Nova Ordem Mundial à feição dos sinistros interesses da Oligarquia Internacional, a mesma que manobra os mercados financeiros e através destes, controla em grande parte a Economia Planetária. Referimo-nos aos casos de Pedofilia no seu seio da Igreja Católica recentemente mediatizados pelas Agências Internacionais de Notícias.

De facto as recentes notícias de Pedofilia, que envolve sacerdotes católicos, têm contornos de uma campanha de ataque à hierarquia Católica, muito para além da objectividade informativa que a deontologia jornalística impõe, independentemente da sua gravidade moral. Tais notícias suscitam desconfiança sobre a sua “bondade” até entre os não católicos como nós. Embora discordando da doutrina da ICAR, em alguns aspectos, reconhecemos no entanto a importância capital do seu papel na nossa História, na defesa dos valores éticos que enformam a nossa cultura judaico-cristã e a sua acção social meritória em prol daqueles que têm sido vítimas da usura e da ganância da Oligarquia Internacional, que é afinal a mais interessada em destruir o Catolicismo e a Religião em geral, já que constituem um obstáculo sério à consecução do seu objectivo final, que é o de reduzir a Humanidade à condição de escravos robotizados.

Ressalvamos, antes que nos confundam estar a defender a Pedofilia, que ao fazermos a defesa da Igreja Católica não estamos a justificar a acção ignominiosa de homens que esqueceram de todo a sua mais elementar obrigação de sacerdotes, o respeito pelo próximo, sobretudo o mais fraco, como é a criança órfã, carente do afecto de uma verdadeira família.

Um dos aspectos que nos leva a desconfiar da “boa vontade” destas notícias é o facto de focalizarem em exclusivo os casos de Pedofilia de clérigos católicos, quando se sabe que este vício é transversal à sociedade. Encontramo-lo em todos estratos sociais e até nas famílias. O pedófilo é em princípio muito próximo da vítima e da sua confiança, ou seja, não é um estranho… podendo ser até um pai, um tio, etc. Quando se argumenta que os padres devido ao celibato a que estão obrigados são mais propensos à pederastia, como insistentemente se procura justificar a tentação dos abusos sexuais, esquece-se que o pederasta nem sempre é solteiro e muitas vezes é tido como “bom” chefe de família, portanto uma pessoa aparentemente normal.

Outro detalhe que indicia que está em marcha uma campanha de desmoralização da ICAR, é o facto das notícias sobre a Pedofilia no seu seio surgirem como cogumelos que nascem a cada manhã, confundindo-se o número das vítimas com o dos pedófilos, parecendo que estes são tantos como um exame de abelhas… Quase a totalidade da hierarquia católica… Evidentemente que isto não desculpabiliza os autores dos abusos sexuais. Na verdade as vítimas são muitas, porém os abusadores denunciados não passam de uma diminuta minoria. Do mal, melhor… Até se tivermos em linha de conta a estatística nos USA, o número de vítimas nas instituições católicas comparada com as restantes, nomeadamente no ambiente escolar civil, é muito superior, uma proporção de 157 para 1, num espaço de tempo de 52 anos, de 1950 a 2002. É obra, não? Tal desproporção mostra por outro lado, no caso norte-americano, como a Pederastia é um fenómeno social extensivo, ou seja, não se restringe a um sector específico da sociedade.

O caso da Casa Pia de Lisboa é também ilustrativo quanto à tipificação do pedófilo. Este orfanato do Estado Português, fundado nos finais do Século XVIII, pelo Intendente da Polícia Pina Manique, homem da confiança do Marquês de Pombal, com um processo de Pedofilia a decorrer, reúne mais arguidos suspeitos de abusos sexuais a menores que todos os casos mencionados recentemente na “mídia” para denegrir a imagem da ICAR. Estão indiciados pelo Ministério Público dez arguidos, incluindo uma cúmplice. Contudo há quem diga que a “farra sexual” naquele instituto envolve muito mais gente e bem graúda, uma vez que remonta há década de 80 do século passado e muitas das vítimas, hoje adultos, não estão dispostos a passar pelo tormento dos inquéritos policiais e menos ainda pela vergonha pública a que têm sido sujeitos os “putos casa pianos” directamente envolvidos no processo. Há a ressaltar, em abono da verdade, que nem todas as acusações serão genuínas. Há quem se aproveite para extorquir dinheiro. Daí talvez a dificuldade de se apurar até onde vai a verdade e começa a mentira… quer de um lado, quer do outro. Acresce referir que problemas de sexualidade, como a sodomia e outros, sempre ocorreram em colégios internos, inclusive entre os internos, embora sejam severamente reprimidos, deixando marcas indeléveis para o resto da vida.

A fúria anticlerical do lobby laicista vai ao ponto de ressuscitar velhos casos como o do padre Lawrence Murphy, que remonta a 1975, para atacar insidiosamente o actual Papa e por essa via, a própria ICAR. A 25 de Março do corrente ano, o conceituado New York Times publicou uma matéria em que pretensamente acusa Bento XVI de encobrir o pároco de Milwaukee quando em 1995 o Papa ainda era Cardeal e responsável pela Congregação para a Doutrina da Fé. È preciso ter muito ódio ao Catolicismo para 35 anos depois levantar tal questão… A denúncia é tanto mais insidiosa quando ignora de todo que aquele organismo tem como função específica vigiar os desvios doutrinários, heresias, pelo que nada tem com o Direito Canónico, que julga casos de indisciplina, como o são os actos que violam a castidade a que os clérigos estão obrigados. Ignora que o referido padre foi na oportunidade ilibado pelo Direito Civil, que não apurou provas da prática de Pedofilia sobre rapazes surdos que tutelava. Como ignora que a hierarquia católica manteve-o sob vigilância e o fez, não tanto pela suspeição de abusos sexuais em menores, mas por desvios doutrinários. Foi essa e só por essa razão que o então Cardeal Ratzinger, em 1995, o sancionou, tendo então limitado as suas funções pastorais. Quatro meses depois Murphy faleceu. Não cremos que aquele diário nova-iorquino desconhecesse em absoluto estes factos. Daqui se conclui que existe má fé e em marcha uma campanha difamatória articulada mundialmente contra a hierarquia católica.

E compreende-se. O actual Sumo Pontífice, coerente com os princípios da Igreja Católica, tem desenvolvido uma tenaz resistência contra as propostas contra-natura e fracturantes, veiculadas por organizações laicas apostadas em impor uma visão sexista e hedonista da Sociedade, reduzindo o homem à sua condição animal para negar a sua dimensão espiritual. Tais organizações não surgiram obviamente por “geração espontânea”, nem vivem do ar… Foram criadas e são apoiadas à sorrelfa por Fundações ditas filantrópicas como a da família Rockfeller. Os interesses financeiros das mesmas estão ligados a um vasto leque de sectores económicos, que vão desde a banca, o petróleo, a indústria farmacêutica, a indústria militar, etc, aos meios áudio visuais, incluindo a “mídia”, a qual evidentemente cumpre uma agenda ditada pela Elite Global à qual pertencem.

Ademais, quem postula que a Humanidade tem que ser reduzida a 1/3 da população actual e contribui para a miséria de milhões de seres humanos não pode ver com bons olhos a acção caritativa da ICAR, precisamente nas áreas onde a pobreza é mais sentida, coincidindo por vezes com subsolos ricos explorados por essa mesma Elite Global.

Há portanto uma intenção neste tipo de notícias, que vai muito além do desejo de informar… Se assim fosse não omitiam o mesmo fenómeno noutras instituições análogas. Mais, numa apreciação equilibrada da responsabilidade da ICAR na Pedofilia, deveriam referir os processos civis e canónicos que têm sido levantados aos clérigos acusados de abuso sexual a menores, seu desfecho, e não apenas publicitar denúncias, que podem não ser genuínas, como se tem conhecimento em processos deste género.

Artur Rosa Teixeira


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